23 de setembro de 2009

Nespresso: o melhor espresso de SP?

Alguém me avisa se eu estiver errado, mas pelo que entendi trata-se de um tricampeonato. O Boutique Bar Nespresso ganhou pela terceira vez consecutiva o título de melhor espresso de São Paulo segundo o júri do especial Comer & Beber da VEJA SP. Claro que o título não tem nenhum carácter oficial, não é formato por um grupo de mega especialistas em café. Mas no fim das contas é provavelmente a mais alardeada premiação para bares, restaurantes e afins que acontece em SP e no Rio.

Quando li que a Nespresso ganhou de novo o que primeiro me ocorreu foi que ganhou pelo ambiente, pela cafeteria chique e moderna. Mas minha surpresa foi que ao ler a revista o voto é mesmo para o "melhor espresso" da cidade. Eu já declarei aqui algumas vezes que na minha humilde opinião de tomador de café acho que o Nespresso é realmente muito bom para um café extraído de uma máquina automática. Nada melhor que chegar na casa de um amigo e encontrar uma máquina Nespresso. Mas longe de ser o melhor café em uma cidade com tantas opções de bons grãos, boas cafeterias e bons baristas.

Sei lá, mas no fundo acho que tem algo errado quando se diz que há 3 anos o melhor espresso da cidade é um café feito de forma automática por uma máquina.

13 de julho de 2009

Café no Havanna de São Paulo desandou


Com alguma dose de tristeza cheguei a conclusão de que o café na rede argentina Havanna não está passando por uma boa fase. Quando a começaram a abrir as primeiras lojas no Brasil a idéia era mesmo oferecer um ambiente que fosse mais do que simplesmente vender os desejados alfajores e o dulce de leche argentino por aqui.

No começo eram só quiosques, principalmente nos aeroportos. Mas depois vieram as cafeterias elegantes em shoppings e bairros voltados para o segmento de consumidores de cafés especiais. Basicamente quem procura um lugar tranquilo na cidade para tomar um bom muito café, ler jornal ou acessar internet em um ambiente tranquilo. Assim como na argentina a oferta é de um espresso tirado por baristas treinados e outras bebidas produzidas com o grão da Fazenda Pessegueiro (já comentei aqui sobre sua popularização sempre bem vinda).

O preço do cafezinho nunca foi dos mais baratos. Agora custa algo como R$ 3,30. Mas nunca me incomodei em pagar caro se o grão é bom e o café bem tirado. O espresso do Havanna Café sempre se igualou os melhores de São Paulo. Pelo menos era assim até pouco tempo atrás. Agora já não posso garantir nada.

Poucos dias parei para um café no balcão da loja do Havanna Café no Shopping Villa Lobos. Pra minha supresa o café que pedi curto (como sempre) veio sem creme nenhum, com gosto de queimado (na foto). Confesso que não deu nem vontade de tomar, e pela falta de habilidade visível do atendente que tirava o café (não vou chamar de barista) desisti de pedir outro.

Semana passada resolvi fazer outra tentativa na loja dos Jardins. No fundo acreditava que a falha podia estar apenas na loja do Villa Lobos. Infelizmente não foi o que aconteceu. O espresso até veio melhorzinho, com um creme fraquinho e sem cor. O café igualmente com gosto de queimado.

Confesso que não vivo o universo dos baristas, mas depois desta experiência ouvi de um conhecido que o que pode ocorrer com o Havanna é a dificuldade de manter os bons profissionais em tantas lojas.

Na foto da direita espresso no Havanna Café antes e na foto da esquerda como é agora

21 de junho de 2009

Um não-especialista dando notas pra o café em casa

Quando comecei o blog um dos motivos era um lugar fácil de acessar onde guardasse anotações sobre os cafés que tomei em casa. Assim evitaria esquecer o que já andei provando e cair no erro de repetir um café ruim.

Aos poucos percebo que o divertido é observar como a mesma marca de café comprado no mesmo supermercado pode mudar bastante de uma série embalada para outra. Este tipo de mudança varia muito de marca para marca. Algumas conseguem ser mais regulares, outras não. Imagino que o normal seria ver a falta de regularidade como um defeito, mas como não sou um lojista, dono de cafeteria ou restaurante que precisa manter um padrão exatamente igual, acho ainda mais divertido pela curiosidade de ver como um marca pode mudar.

Aceitando a sugestão de um amigo e pra facilitar estas observações resolvi que na listagem (aí do lado esquerdo) chamada "Café em Casa" vou anotar com notas de 1 até 5 a qualidade do que andei tomando cada vez que abro um pacote novo. Sem pretensão de especialista que não sou nem de perto. Apenas uma pura observação de quem consome.

18 de junho de 2009

O café espresso de nuestros hermanos: Argentina, Uruguai e Chile

Que o café é uma das bebidas mais populares do mundo ninguém tem dúvida, mas não é igual em todo o lugar. O mais curioso é observar como o gosto e o preparo muda de acordo com a cultura de cada local. Isso vale também para o espresso. Certamente para quem gosta de café uma diversão extra durante uma viagem é observar como é preparado o café em cada lugar.

Mas mesmo viajando com a cabeça aberta para experimentar existe aquele momento em que você quer tomar um bom espresso, sem surpresas. E é neste aspecto que nuestros hermanos argentinos, chilenos e uruguaios deixam a desejar. Pelo menos para o padrão de café bem tirado que estamos acostumados por aqui. Na comparação direta entre Argentina, Chile e Uruguai os argentinos levam a melhor.

Voltando a pouco tempo de uma viagem ao Uruguai achei que valia a pena organizar minha observação de como o normal nos países do Cone Sul é encontrar um café espresso bem mais ou menos. Um cenário muito diferente do considerado regular nos países europeus da nossa família latina que também preservam a cultura do espresso (Itália, França, Portugal, Espanha), e ainda muito longe da qualidade média que eu mesmo estou acostumado na cidade de São Paulo.

Espresso no Havana Café de Bariloche (Argentina).
O melhor de tudo ainda é o alfajor que acompanha

Argentina - Mesmo em Buenos Aires o que impressiona é que máquinas espresso espalhadas pela cidade são tão ou mais comum do que em São Paulo. Mas encontrar um bom café é tarefa bem mais complicada. Existem várias exceções é claro, mas se você sai em busca de um espresso e entra no primeiro café que encontrar em uma esquina de Buenos Aires (e são vários) é quase certo encontrar aquele café aguado, sem creme, quase transbordando na xícara acompanhado de um copo de água com gás suficiente pra limpar a boca e matar a sede. E não adianta pedir o "ristretto", como por lá chamam o curto, ele também vem queimando a língua, sem creme.

Se por um lado o café comum fica bem abaixo da média de qualquer padoca comum de São Paulo, a lista de excessões em Buenos Aires é de alta qualidade. Na lista esta a rede de lojas da Café Martinez. O atendente chega a perguntar como prefere que o café seja tirado afinal sabe que o gosto local é pelo café superextraído. Mas o ristretto é um café perfeito com grãos de diferentes partes da América Latina. Já cheguei mesmo a trazer grãos da Costa Rica comprados da Martinez para casa. Vale o esforço.

A rede da Havana Café que se espalha pelas principais cidades do país não chega a ser uma garantia de salvação. Até é possível dar a sorte de encontrar um bom barista, mas em geral o café é igual ao de todo o resto do país. Pelo menos se pode pedir um alfajor dos melhores para acompanhar o espresso aguado.

O "ristretto" muito águado e sem creme em uma das
melhores e mais charmosas cafeterias do centro de Montevideo

Uruguai - Os uruguaios seguem a regra dos argentinos. Mas com a diferença de que pelo menos nas boas cafeterias, algumas dedicadas a "cafes especiales" não existe excessão a regra, todos os cafés que provei (e foram vários) sempre vieram iguais aos piores de Buenos Aires. A diferença é só que o copo de água com gás é sempre maior e mais generoso. Acho que os uruguaios são mais sedentos por água. Basta o copo ficar vazio pro atendente automaticamente completar.

Espresso muito bem tirado no Café Haiti (Santiago do Chile)

Chile - Quando se pensa em café e Chile a primeira coisa que vem a cabeça de qualquer um é o clássico "café con piernas". Uma instituição inacreditável em uma sociedade que se caracterizava pelo super conservadorismo até pelo menos 10 anos atrás. No meio de todos os tabus do período da ditadura Pinochet lá estavam os vários cafés com balcões vazados e atendentes com micro saias servindo cafés espresso para senhores de negócios engravatados no centro de Santiago. A ditatura foi embora mas os cafés ficaram e proliferaram. Praticamente virando um padrão. Difícil encontrar uma cafeteria em Santiago que não tenha o balcão vazado e a moça de micro-saia.

E o café? Nos cafés tradicionais do centro velho de Santiago não tem erro. O curto, que por lá é chamado de italiano, vem correto, bem tirado com grãos em geral vindos daqui do Brasil mesmo. Fora dos cafés tradicionais (con piernas ou não) vira um questão de sorte. Aparentemente quanto menos movimentado mais difícil encontrar alguém que consiga variar o café de acordo com o gosto do freguês. Em Santiago acredito que vale a regra de procurar cafés em shoppings e grandes cafeterias e jamais arriscar uma loja, por mais bonitinha que seja, em qualquer lugar.

13 de maio de 2009

Da torrefação até a xícara, todo o processo feito em casa

Como já escrevi por aqui moer o café em casa é para mim tarefa básica. Depois de muitas experiências praticamente desisti de comprar café em pó. O grande lance é comprar o café em grãos, guarda-lo na geladeira e moer pequenas quantidades. Mas comprar café verde? Nunca passou pela minha cabeça. Mas esta é a idéia do designer de produtos Tom Metcalfe. O sujeito foi bem além do usual e desenvolveu uma Coffe Maker portátil onde é possível fazer todo o processo começando com o café verde.

Tudo bem, como dá pra perceber no vídeo abaixo está longe de ser prático. Se eu fosse usar uma máquina destas em casa cedo ou tarde ia acabar provocando um incêndio de grandes proporções. Mas a idéia é bacana para se pensar que torrar café não é algo tão complicado. Quem tinha avós no interior do país sabe que não muito tempo atrás o comum era torrar o café de forma artesanal na cozinha de casa.

Enfim, a máquina não é funcional, mas é bonito ver alguém dominar o processo inteiro em alguns minutos.