19 de abril de 2013

Café no Sofá

Verdade seja dita que as cafeterias moderninhas andam se esforçando em fazer o cliente se sentir em casa. Nada daquele café tomado com pressa no balcão. As cafeterias fazem verdadeiras salas de estar pra trazer um clima informal, com revistas, wifi aberto e principalmente sem atendentes tentando provocar o consumo doa clientes. Particularmente acho que nada combina melhor com um bom café do que o clima informal.

Nesta linha esbarrei outro dia com o Sofá Café em uma ruazinha movimentada de Pinheiros atrás da Av. Faria Lima. Uma casinha simpática já reformada pra criar um ambiente aconchegante de quem não está com pressa. Na primeira sala de quem entra poltronas e sofás formam conjuntos com mesas de centro estilo anos 50 convidando a sentar e deixar lá fora um pouco da correria cotidiana.

O café é tratado com respeito. São grãos da região de Mococa (SP) fornecidos e torrados pela Isabela Raposeiras, dona do Coffe Lab e barista que já virou mais do que referência de qualidade aqui por estas bandas paulistanas.

Mas o pessoal do Sofá Café tá pensando mais além e já montou sua salinha no segundo andar com uma torrefadora própria. Em breve vai ter cheirinho de café torrado inundando o ambiente com grãos da mesma origem.

Sofá Café
Rua Bianchi Bertoldi, 130
Pinheiros
São Paulo
phone: 11 3034.5830
www.sofacafe.com.br

Horário de funcionamento:
De segunda a sexta-feira das 9h00 às 18h30
Sábado das 10h00 às 14h00
Domingos e feriados não abre






13 de abril de 2013

O café quase salgado das cafeterias norte-americanas

Café curto "quase salgado" do pequeno Telegraphe em Nova York

Tem gente que gosta de viajar e provar novos estilos de vinho, gente que gosta de procurar livros. Eu gosto de experimentar cafés.

É um hábito já bem antigo. Viajar e provar cafés por ai na curiosidade de entender como é o gosto de cada pais e de cada povo. Muitas vezes em uma tarde andando em alguma cidade tomo 3 ou 4 xícaras apenas pelo fato de não resistir a provar o espresso da cafeteria que aparece em cada esquina.

Acredite varia muito no cafezinho de cada lugar do mundo. Mesmo a forma como o café é torrado tem características que se pode perceber diferentes e de alguma forma está relacionado com o paladar médio de cada população.

Quem viaja para os EUA está acostumado a encontrar o famoso cafezão, super quente e aguado. No passado pra quem não é adepto do cafezão que os norte-americanos tem o hábito de tomar viajar por aquelas bancas era um suplício. Hoje em dia ainda existe salvação nas cafeterias tipo Starbucks, que embora não sirvam um espresso dos melhores pode servir de oásis para quem deseja um espresso minimamente decente em uma cidade do meio-oeste norte-americano.

Em cidades maiores como Nova York, Miami, Boston e tantas outras uma moda de café espresso estilo europeu vem tomando conta lentamente e criando novas opções. Algumas de altíssima qualidade. Vou citar a Aroma Espresso que tem lojas tanto em Nova York como em Miami e é segurança de um ótimo espresso servido na xícara e não naqueles copinhos de papelão que o Starbucks usa mesmo para o café normal. O fenômeno se repete em várias outras cafeterias, algumas muito pequenas e totalmente européias, como a Telegraphe (na foto).

Mas mesmo em uma cafeteria de qualidade, estilo europeu como é o caso da Aroma o sabor do café está em linha com o que se encontra em outras cafeterias dos EUA. Um café torrado ao extremo, com um amargo reforçado e sabores menos suaves. Na minha impressão pouco especializada um resultado do café torrado um pouco além do ponto que estamos acostumados por aqui. Quando bem tirado, curto e forte o resultado é uma bebida quase salgada. Não chega a ser ruim, ainda que pessoalmente goste mais do sabor mais equilibrado, mas é curioso como o efeito se repete mesmo nas cafeterias mais modernas.

Quem compra um pacote de café em grãos do Starbucks nas lojas aqui no Brasil  vai encontrar este sabor. Um sabor que acaba sendo diluído nas bebidas cheias de leite, cremes e outros ingredientes que fazem sucessos nos cafés estilo norte-americano. Talvez por isso um motivo para forçar tanto o sabor do café levando o grão ao extremo.

7 de maio de 2010

Nespresso recarregável agora é produto

O vídeo é absolutamente hilário. Lembra os comerciais semi-amadores que eu assistia quando criança nas emissoras locais de Belo Horizonte. Mas independente disso, depois que um sujeito inventou uma forma de recarregar o refil da Nespresso com papel alumínio (veja o post), não ia mesmo demorar muito pra alguma empresa criar um produto que torna a "gambiarra" de recarregar o cartucho Nespresso ridiculamente simples.

O melhor ainda é a parte em que a narradora diz: "I don't care what George thinks". Pra mim os criadores deste NexPod (www.nexpod.com) já merecem mesmo algum prêmio de criatividade e oportunismo. Quando será que vão vender por aqui? Gente com máquina de Nespresso em casa e cansado de pagar caro pelos cartuchos já tem bastante.

Veja o vídeo abaixo.

3 de maio de 2010

Ariete é boa de máquina, ruim de moedor

Quase um ano atrás escrevi um post aqui sobre moagem de café em casa. Na época estava começando a procura por um novo moedor para substituir o meu primeiro, um Hamilton Beach norte-americano que começava a apresentar os primeiros sinais de velhice.

Não abro mão de moer os grãos de café em casa. O resultado é incomparável e o moedor pra mim é algo tão indispensável como a própria máquina de café. O problema é que minha cozinha não é uma cafeteria. Não posso me dar ao luxo de reservar um espaço permanente para um moedor mesmo que semi-profissional. Logo tenho que me contentar com as possibilidades de um moedor caseiros e o mais compacto e simples possível.

Pesquisando bastante os modelos existentes acabei resolvendo encarar um modelo simples, mas aparentemente eficiente da Ariete . Gostei do bom espaço para colocar grãos e a grande vantagem parecia ser a possibilidade de moer uma quantidade maior em uma só operação. Também pesou o fato de ser uma marca que fabrica máquinas de espresso para uso doméstico de qualidade já bastante conhecida. Eu mesmo já desejei algumas.

Compra feita chega o moedor em casa poucos dias depois. Quando boto o moedor pra funcionar e aparecem os problemas. De cara já deu pra perceber que mesmo colocando na moagem mais fina de todas o pó ainda ficou grosso demais para a minha máquina. Resultado o café fica fraco e sem creme. Muito ruim.

Mesmo assim fui em frente. No final da mesma leva de grãos colocados no depósito o moedor começa a perder força e acaba parando antes de terminar o serviço. Investiga aqui, investiga de lá o que pode ter acontecido e qual não é a surpresa de descobrir que o canal que passa o pó moido para o pequeno reservatório na frente do aparelho entupiu e imediatamente travou o motor do moedor. E prá limpar? Acha que é fácil? Nada nada prático, totalmente sem acesso, e ainda faz uma sujeirada total além de desperdiçar uma quantidade considerável de café.

Ainda tentei usar por mais uma ou duas semanas só pra depois jogar o moedor da Ariete de volta na caixa e voltar a usar o meu velho moedor de guerra com mais de seis anos de uso intenso. Agora só me resta rezar pra que ele ainda sobreviva mais alguns meses.

11 de janeiro de 2010

Café da Chapada Diamantina

Na semana passada ganhei de presente de um amigo baiano um precioso pacote com cafés da Lucca Cafés Especiais. Já tinha uma curiosidade antiga de experimentar o café desta rede de cafeterias. Mas como não estão em SP fiquei pendente de uma oportunidade em alguma cidade por onde eles estavam. No fim o café é que chegou até minhas mãos comprado na loja de Salvador. E para minha surpresa com grãos produzidos na Chapada Diamantina, outra novidade que não havia experimentado.

A Bahia aparece como o quarto maior produtor do país, mas a produção de cafés especiais é apenas uma pequena parte. De qualquer forma no ano passado um produtor da região da Chapada Diamantina, município de Piatã venceu o 10º Concurso de Qualidade Cafés do Brasil promovido pela Associação Brasileira de Cafés Especiais.
A matéria do ano passado da VEJA sobre a evolução do café baiano dá um bom panorama do que está acontecendo por lá - http://veja.abril.com.br/091209/diamante-negro-bahia-p-168.shtml

O café baiano da Lucca vem da Fazenda Divino Espírito Santo, que fica na mesma região de Piatã. É uma pena que para continuar com algum estoque eu vá ficar na dependência da boa ação dos "importadores" amigos de Salvador ou Curitiba. O café baiano da Lucca realmente se destaca pela qualidade e também por ser tão diferente em sabor e aroma do café especial que normalmente encontramos por aqui vindo de São Paulo ou Minas Gerais.

20 de dezembro de 2009

Juan Valdez Volcan, que cana é essa?


Acabo de moer alguns grãos de café colombiano da marca Juan Valdez. Um café que eles deram o nome de Volcan, o que segundo estava escrito na prateleira da loja quer dizer café de regiões acima de 1.400m de altitude com terreno vulcânico. Até não era de se esperar outra coisa.

Claro que o aroma de café recém moído dá vontade imediata de provar na xícara. E o aroma deste Juan Valdez é ainda mais intrigante. Não muito intenso, o que podia ser até meio decepcionante pro meu gosto, mas tinha no fundo um cheiro de melaço de cana. Coisa estranha porque quando comprei os grãos o atendeste na loja da própria Juan Valdez me explicou que este Volcan era o mais forte que eles tinham. E não é que na xícara tava lá o gosto leve de cana?! Algo que lembra açúcar mascavo.

Não conheço muito a linha da Juan Valdez mas este me parece um caso específico de cafés produzidos para o mercado e para o gosto norte-americano.

14 de dezembro de 2009

Muitos e bons espressos em Nova York

Acho que não sou o único que tinha no imaginário a idéia de que o café para os norte-americanos se resumia aquela bebida rala que mais vale pela quantidade do que pelo sabor. Mesmo em viagens anteriores aos EUA eu sempre recorria a um Starbucks em alguma esquina para tomar um espresso razoável.

Pois bem. Desta vez estive por lá duas vezes, dois lugares diferentes, em menos de 3 meses. Voltei mais atento e confesso que fiquei um pouco surpreso com a facilidade em se encontrar bons espressos em Nova York, assim como na região da Nova Inglaterra.

Nova York

Até aí não vou repetir o óbvio de que Nova York tem de tudo para todos os gostos. Lógico que também tem bons cafés. Antes de viajar li com atenção a boa série de posts sobre cafés em NY do Espressa-mente, praticamente um guia de boas cafeteiras na cidade.


Somando o post do Espressa-mente e a indicação de um amigo coloquei no meu mapa a Ninth Street Espresso no Chelsea Market. Acabei passando duas vezes não
só pelo café mas pelo próprio Chelsea Market, um lugar incrível para um almoço informal, principalmente se você anda sozinho pela cidade. Experimentei um espresso curto, dos mais encorpados que me lembro, e em uma segunda visita também um cappuccino simplesmente perfeito. O aroma delicioso do café torrado da loja se espalha pelos corredores do mercado aparentemente a qualquer hora do dia.

Também em Chelsea outra boa surpresa que descobri caminhando ao acaso é o Telegraphe Cafe. Não só pelo excelente espresso, mas por todo o ambiente. Cheguei a
ficar algumas horas sentado nas mesinhas voltadas para a calçada com um croissant, um espresso e utilizando o wifi da cafeteria. Um lugar perfeito para observar com conforto a

movimentação de uma típica rua de Manhattan.
>> Telegraphe Cafe - 107 W 18th St, New York (at 6th Ave)

No Fika Espresso Bar espaço não é a maior qualidade. Nas duas vezes que entrei na loja para tomar um espresso o máximo que consegui foi tomar o café em pé no balcão voltado para a rua. O ambiente é moderno, bem apertado. Só duas mesas minúsculas que mal cabem duas pessoas. Nos horários da manhã é preciso um pouco de
paciência para enfrentar a fila. O espresso custa U$2,50, o que não é muito barato para os nosso padrões. Mas vale o investimento.

Caminhando na 42nd o Aroma Espresso Bar chamou minha atenção de longe pela fachada. Eu tinha acabado de tomar um espresso na Grand Central Station mas tive que repetir a dose no Aroma. O ambiente descolado com mesas coletivas que ficam lotadas no almoço de quem busca os bons sanduíches e saladas da casa (eu provei os dois). O café segue a linha do ultra encorpado como na Ninth Street.
Essas ficaram na memória pois foram os pontos onde estive 2 ou 3 vezes, mas não foram as únicas. Muitas e muitas outras cafeterias menores ou maiores em diferentes bairros de NY servem o espresso ao estilo europeu com perfeição.


6 de dezembro de 2009

Dicionário Gastronômico - Café com suas receitas

Já está mais do que na hora de quebrar o jejum de meses e meses sem nada novo por aqui.


Esta semana estive no lançamento do Dicionário Gatronômico - Café com suas Receitas, da Giuliana Bastos. Foi na Livraria da Vila aqui em SP.

Já confessei por aqui várias vezes que nem de perto me considero um mega especialista em cafés. Apenas gosto muito da bebida, gosto de experimentar e escrever como um simples apreciador.
E para um sujeito como eu o Dicionário da Giuliana caiu como uma luva. É simples, direto, o texto delicioso de ler, muito bem ilustrado. Podia servir só como uma fonte de consulta na estante para as horas que você quer tirar uma dúvida ou entender o que quer algum assunto ou procedimento específico do universo dos cafés. Mas vai além disso. É um belo instrumento para entender em termos bem menos técnicos do que a maior parte dos livros sobre o tema que se encontra nas livrarias por aqui.
Um bom exemplo é o FAQ no final do livro. Algo como as principais respostas que um iniciante sempre quer saber sobre café mas não tem coragem de perguntar ;-)

Ok ok, um barista, um especialista vai achar que o livro é bonito mas superficial. Porém, eu mais do que recomendo para os que são apreciadores como eu.

23 de setembro de 2009

Nespresso: o melhor espresso de SP?

Alguém me avisa se eu estiver errado, mas pelo que entendi trata-se de um tricampeonato. O Boutique Bar Nespresso ganhou pela terceira vez consecutiva o título de melhor espresso de São Paulo segundo o júri do especial Comer & Beber da VEJA SP. Claro que o título não tem nenhum carácter oficial, não é formato por um grupo de mega especialistas em café. Mas no fim das contas é provavelmente a mais alardeada premiação para bares, restaurantes e afins que acontece em SP e no Rio.

Quando li que a Nespresso ganhou de novo o que primeiro me ocorreu foi que ganhou pelo ambiente, pela cafeteria chique e moderna. Mas minha surpresa foi que ao ler a revista o voto é mesmo para o "melhor espresso" da cidade. Eu já declarei aqui algumas vezes que na minha humilde opinião de tomador de café acho que o Nespresso é realmente muito bom para um café extraído de uma máquina automática. Nada melhor que chegar na casa de um amigo e encontrar uma máquina Nespresso. Mas longe de ser o melhor café em uma cidade com tantas opções de bons grãos, boas cafeterias e bons baristas.

Sei lá, mas no fundo acho que tem algo errado quando se diz que há 3 anos o melhor espresso da cidade é um café feito de forma automática por uma máquina.

13 de julho de 2009

Café no Havanna de São Paulo desandou


Com alguma dose de tristeza cheguei a conclusão de que o café na rede argentina Havanna não está passando por uma boa fase. Quando a começaram a abrir as primeiras lojas no Brasil a idéia era mesmo oferecer um ambiente que fosse mais do que simplesmente vender os desejados alfajores e o dulce de leche argentino por aqui.

No começo eram só quiosques, principalmente nos aeroportos. Mas depois vieram as cafeterias elegantes em shoppings e bairros voltados para o segmento de consumidores de cafés especiais. Basicamente quem procura um lugar tranquilo na cidade para tomar um bom muito café, ler jornal ou acessar internet em um ambiente tranquilo. Assim como na argentina a oferta é de um espresso tirado por baristas treinados e outras bebidas produzidas com o grão da Fazenda Pessegueiro (já comentei aqui sobre sua popularização sempre bem vinda).

O preço do cafezinho nunca foi dos mais baratos. Agora custa algo como R$ 3,30. Mas nunca me incomodei em pagar caro se o grão é bom e o café bem tirado. O espresso do Havanna Café sempre se igualou os melhores de São Paulo. Pelo menos era assim até pouco tempo atrás. Agora já não posso garantir nada.

Poucos dias parei para um café no balcão da loja do Havanna Café no Shopping Villa Lobos. Pra minha supresa o café que pedi curto (como sempre) veio sem creme nenhum, com gosto de queimado (na foto). Confesso que não deu nem vontade de tomar, e pela falta de habilidade visível do atendente que tirava o café (não vou chamar de barista) desisti de pedir outro.

Semana passada resolvi fazer outra tentativa na loja dos Jardins. No fundo acreditava que a falha podia estar apenas na loja do Villa Lobos. Infelizmente não foi o que aconteceu. O espresso até veio melhorzinho, com um creme fraquinho e sem cor. O café igualmente com gosto de queimado.

Confesso que não vivo o universo dos baristas, mas depois desta experiência ouvi de um conhecido que o que pode ocorrer com o Havanna é a dificuldade de manter os bons profissionais em tantas lojas.

Na foto da direita espresso no Havanna Café antes e na foto da esquerda como é agora

21 de junho de 2009

Um não-especialista dando notas pra o café em casa

Quando comecei o blog um dos motivos era um lugar fácil de acessar onde guardasse anotações sobre os cafés que tomei em casa. Assim evitaria esquecer o que já andei provando e cair no erro de repetir um café ruim.

Aos poucos percebo que o divertido é observar como a mesma marca de café comprado no mesmo supermercado pode mudar bastante de uma série embalada para outra. Este tipo de mudança varia muito de marca para marca. Algumas conseguem ser mais regulares, outras não. Imagino que o normal seria ver a falta de regularidade como um defeito, mas como não sou um lojista, dono de cafeteria ou restaurante que precisa manter um padrão exatamente igual, acho ainda mais divertido pela curiosidade de ver como um marca pode mudar.

Aceitando a sugestão de um amigo e pra facilitar estas observações resolvi que na listagem (aí do lado esquerdo) chamada "Café em Casa" vou anotar com notas de 1 até 5 a qualidade do que andei tomando cada vez que abro um pacote novo. Sem pretensão de especialista que não sou nem de perto. Apenas uma pura observação de quem consome.

18 de junho de 2009

O café espresso de nuestros hermanos: Argentina, Uruguai e Chile

Que o café é uma das bebidas mais populares do mundo ninguém tem dúvida, mas não é igual em todo o lugar. O mais curioso é observar como o gosto e o preparo muda de acordo com a cultura de cada local. Isso vale também para o espresso. Certamente para quem gosta de café uma diversão extra durante uma viagem é observar como é preparado o café em cada lugar.

Mas mesmo viajando com a cabeça aberta para experimentar existe aquele momento em que você quer tomar um bom espresso, sem surpresas. E é neste aspecto que nuestros hermanos argentinos, chilenos e uruguaios deixam a desejar. Pelo menos para o padrão de café bem tirado que estamos acostumados por aqui. Na comparação direta entre Argentina, Chile e Uruguai os argentinos levam a melhor.

Voltando a pouco tempo de uma viagem ao Uruguai achei que valia a pena organizar minha observação de como o normal nos países do Cone Sul é encontrar um café espresso bem mais ou menos. Um cenário muito diferente do considerado regular nos países europeus da nossa família latina que também preservam a cultura do espresso (Itália, França, Portugal, Espanha), e ainda muito longe da qualidade média que eu mesmo estou acostumado na cidade de São Paulo.


Espresso no Havana Café de Bariloche (Argentina).
O melhor de tudo ainda é o alfajor que acompanha

Argentina - Mesmo em Buenos Aires o que impressiona é que máquinas espresso espalhadas pela cidade são tão ou mais comum do que em São Paulo. Mas encontrar um bom café é tarefa bem mais complicada. Existem várias exceções é claro, mas se você sai em busca de um espresso e entra no primeiro café que encontrar em uma esquina de Buenos Aires (e são vários) é quase certo encontrar aquele café aguado, sem creme, quase transbordando na xícara acompanhado de um copo de água com gás suficiente pra limpar a boca e matar a sede. E não adianta pedir o "ristretto", como por lá chamam o curto, ele também vem queimando a língua, sem creme.

Se por um lado o café comum fica bem abaixo da média de qualquer padoca comum de São Paulo, a lista de excessões em Buenos Aires é de alta qualidade. Na lista esta a rede de lojas da Café Martinez. O atendente chega a perguntar como prefere que o café seja tirado afinal sabe que o gosto local é pelo café superextraído. Mas o ristretto é um café perfeito com grãos de diferentes partes da América Latina. Já cheguei mesmo a trazer grãos da Costa Rica comprados da Martinez para casa. Vale o esforço.

A rede da Havana Café que se espalha pelas principais cidades do país não chega a ser uma garantia de salvação. Até é possível dar a sorte de encontrar um bom barista, mas em geral o café é igual ao de todo o resto do país. Pelo menos se pode pedir um alfajor dos melhores para acompanhar o espresso aguado.


O "ristretto" muito águado e sem creme em uma das
melhores e mais charmosas cafeterias do centro de Montevideo

Uruguai - Os uruguaios seguem a regra dos argentinos. Mas com a diferença de que pelo menos nas boas cafeterias, algumas dedicadas a "cafes especiales" não existe excessão a regra, todos os cafés que provei (e foram vários) sempre vieram iguais aos piores de Buenos Aires. A diferença é só que o copo de água com gás é sempre maior e mais generoso. Acho que os uruguaios são mais sedentos por água. Basta o copo ficar vazio pro atendente automaticamente completar.


Espresso muito bem tirado no Café Haiti (Santiago do Chile)

Chile - Quando se pensa em café e Chile a primeira coisa que vem a cabeça de qualquer um é o clássico "café con piernas". Uma instituição inacreditável em uma sociedade que se caracterizava pelo super conservadorismo até pelo menos 10 anos atrás. No meio de todos os tabus do período da ditadura Pinochet lá estavam os vários cafés com balcões vazados e atendentes com micro saias servindo cafés espresso para senhores de negócios engravatados no centro de Santiago. A ditatura foi embora mas os cafés ficaram e proliferaram. Praticamente virando um padrão. Difícil encontrar uma cafeteria em Santiago que não tenha o balcão vazado e a moça de micro-saia.

E o café? Nos cafés tradicionais do centro velho de Santiago não tem erro. O curto, que por lá é chamado de italiano, vem correto, bem tirado com grãos em geral vindos daqui do Brasil mesmo. Fora dos cafés tradicionais (con piernas ou não) vira um questão de sorte. Aparentemente quanto menos movimentado mais difícil encontrar alguém que consiga variar o café de acordo com o gosto do freguês. Em Santiago acredito que vale a regra de procurar cafés em shoppings e grandes cafeterias e jamais arriscar uma loja, por mais bonitinha que seja, em qualquer lugar.

13 de maio de 2009

Da torrefação até a xícara, todo o processo feito em casa

Como já escrevi por aqui moer o café em casa é para mim tarefa básica. Depois de muitas experiências praticamente desisti de comprar café em pó. O grande lance é comprar o café em grãos, guarda-lo na geladeira e moer pequenas quantidades. Mas comprar café verde? Nunca passou pela minha cabeça. Mas esta é a idéia do designer de produtos Tom Metcalfe. O sujeito foi bem além do usual e desenvolveu uma Coffe Maker portátil onde é possível fazer todo o processo começando com o café verde.

Tudo bem, como dá pra perceber no vídeo abaixo está longe de ser prático. Se eu fosse usar uma máquina destas em casa cedo ou tarde ia acabar provocando um incêndio de grandes proporções. Mas a idéia é bacana para se pensar que torrar café não é algo tão complicado. Quem tinha avós no interior do país sabe que não muito tempo atrás o comum era torrar o café de forma artesanal na cozinha de casa.

Enfim, a máquina não é funcional, mas é bonito ver alguém dominar o processo inteiro em alguns minutos.

9 de maio de 2009

Nespresso de baixo custo recarregável

Eu sabia que não ia demorar muito pra descobrissem como pode ser fácil driblar o alto custo das cápsulas da Nespresso é inventar uma fórmula que recarregar o refil. Agora você pode fazer o café "nespresso" com qualquer pó que quiser. O vídeo que explica tudo.

Não demora muito vai ter um camelô no centro da cidade vendendo o kit pra recarregar a cápsula.

6 de maio de 2009

Moendo café em casa


Logo que adquiri minha primeira máquina espresso descobri também a importância de comprar o café em grãos e nunca moído. Com foi inevitável e logo depois comprei um moinho. Nada muito extravagante, mas um destes portáteis que hoje em dia se encontra com facilidade em lojas de eletrodomésticos. Em 2001 não era tão comum, mas consegui encontrar algo que não virasse mais um trambolho cozinha. De fato, tirando a operação não ser tão prática como parece ser em moinhos profissionais o meu portátil sempre cumpriu muito bem com sua missão. Trata-se de um modelo simples, com alguns níveis de regulagem que aos poucos fui aprendendo os resultados que produziam na moagem.

Agora ele (o moinho) começa a dar os primeiros sinais de que está ficando velhinho e pode me deixar na mão a qualquer momento. A qualidade das laminas ainda parece ok, mas ele já começa a apresentar alguma falha no funcionamento, as vezes não liga. Comecei a olhar, só por olhar, o que andam vendendo. A surpresa e descobrir o salto de variedade e opções comparando com apenas oito anos atrás. Na mesma linha também faz sentido pensar que oito anos atrás não era muito comum encontrar tanta variedade de café em grão nas prateleiras de supermercados. Normalmente eram só duas ou três opções. Hoje em qualquer uma das três lojas do Pão de Açúcar do meu bairro são quase dez marcas diferentes.

Mas não fugindo do assunto da moagem em casa, também o que me deixa sempre intrigado é observar como o mesmo tempo de moagem, no mesmo nível da seleção do moinho, nunca produz o mesmo resultado no mesmo grão. Muitas vezes na mesma marca de café o mesmo processo de moagem pode trazer um café mais ou menos fino do que o anterior. Não chega a ser uma diferença que comprometa qualquer resultado na máquina espresso, mas não deixa de ser curioso.

Um pouco por conta disso, um pouco por que gosto de provar novos cafés o tempo todo, sempre mantenho pelo menos dois tipos diferentes de cafés na geladeira. São sempre dois potes de cafés em grão e dois potes menores com pequenas quantidades de café moído. No começo ligava o moinho a cada vez que preparava uma xícara. Lógico que nada substitui o sabor de um café recém moído, mas também não é muito conveniente não ter tudo pronto apenas para preparar uma dose na máquina. O resultado é moer pequenas quantidades que duram dois ou três dias no máximo.

29 de abril de 2009

Xícaras ou xícaras


Alguém já reparou como anda cada vez mais comum, pelo menos aqui em Sampa, estas xícaras compridas estão começando a virar moda. Eu tinha lá minha implicância porque sempre acho que o curto acaba vindo mais longo e o normal acaba super aguado. Mas algumas são bonitinhas com um espresso super bem tirado como esta de uma cafeteria de um prédio comercial no Itaim.

25 de fevereiro de 2009

Armazém do Café



Foi em 2002 que comecei a dar uma atenção maior para o café diário. Comprei minha primeira máquina espresso e um moedor de grãos e procurava experimentar os diferentes cafés que encontrava pela cidade de São Paulo. No mesmo ano, em uma dos muitos finais de semana na Rio de Janeiro fui explorar uma loja que já tinha visto algumas vezes mas até então não dava nenhuma atenção e descobri algo que me surpreendeu, a existência na cidade de uma cafeteria chamada Armazém do Café que em menor tamanho lembrava e muito a experiencia europeia de café.

Diferentes grãos, de diferentes regiões, um espresso bem tirado. Em São Paulo, que é a terra do espresso no Brasil eu não conhecia ainda uma loja tão completa.

Desde então SP evolui e muito com cafeterias super requintadas se espalhando por toda a cidade. Hoje é possível passar um ano inteiro sem repetir um mesmo café especial de altíssima qualidade apenas variando as cafeterias com blends exclusivos pela capital paulista. Não sei se por isso, agora quando volto ao Rio e bato o ponto no Armazém do Café já não acho o espresso uma preciosidade. Ainda possuem uma rara oferta de grãos de qualidade, mas o serviço deixa muito a desejar, o próprio espresso nem sempre tirado da forma correta, principalmente na loja do Downtown o atendimento é um bastante descuidado.

De qualquer forma sempre trago uma pequena quantidade de grãos do tipo Frevo ou Samba que em casa sempre resultam em um café pra lá de especial.

14 de janeiro de 2009

Pessegueiro popular

Muito bom perceber como é cada vez mais comum encontrar pontos na cidade de São Paulo que servem o Café Pessegueiro. Cafés dentro de supermercados, restaurantes, bares, o Pessegueiro anda ficando tão comum como foi o Bravo Café algum tempo atrás.

Outra grande vantagem é que trata-se de um grande café tornando-se comum não necessariamente em lugares sofisticados ou muito especializados. O lado um pouco curioso é que se antes a existência de Pessegueiro em um estabelecimento era garantia de um barista razoavelmente treinado no local, agora já não dá pra contar com isso. Na cafeteria da rede Oba de supermercado, Moema, descobri que Pessegueiro está popularizado mesmo. Por outro lado caminhando na Faria Lima estes dias esbarrei com um café simples e pequeno com um ótimo espresso (na foto) tirado quase no meio da calçada.

19 de dezembro de 2008

Starbucks e o café inflacionado

Demorei muito para entrar pela primeira vez em uma loja do Starbucks aqui em SP. E não por odiar a rede ou o estilo norte-americano de transformar o café especial em um grande modismo. Na verdade tenho ótimas lembranças do Starbucks.

Nos EUA um Starbucks é o mais perto que se pode encontrar de um bom café acessível em qualquer grande cidade. Claro que em lugares como Nova York, procurando, vc encontra nos bairros italianos uma boa cafeteria com um excelente espresso. Mas em Miami, em viagens de trabalho, o Starbucks sempre foi minha alternativa aceitável para tomar o espresso obrigatório da manhã.

Quando as primeiras lojas da Starbucks abriram em SP fiquei curioso de voltar ao ambiente. Não pelo café é claro, mas pelo ambiente mesmo que remete a boas lembranças das viagens pelos EUA.

Poucas semanas atrás uma loja da rede abriu a um quarteirão da minha casa em Moema. Agora não tinha mais desculpas para não visitar o Starbucks tupiniquim. E confesso que o primeiro choque já se sente antes mesmo de tomar qualquer uma das bebidas. O preço praticado pelo Starbucks no Brasil é mais do que restritivo, não tem sentido nenhum pelo que se compra.

Um Mocha pequeno no Starbucks custa R$ 9,10. (Wowww!!!)
Um Mocha do mesmo tamanho no Suplicy custa R$ 6,80.

E lembrando que pequeno é o menor tamanho no Starbucks. O Mocha até é gostoso, bem feito pela máquina. Mas não tem qualquer comparação com o feito pelos baristas das cafeterias da rede Suplicy de São Paulo, considerada um lugar de altíssimo padrão. O Starbucks cobra mais caro e tem planos de ser uma rede de alto consumo. Um McDonald´s das cafeterias de qualidade.

No Starbucks brasileiro o café espresso feito com grãos da Ipanema Coffees é exatamente igual ao espresso nas lojas em território norte-americano. Ou seja, é uma tristeza. Lá fora é o melhor que se pode encontrar. Mas aqui não faz sentido ir até o Starbucks pra tomar um cafezinho por R$ 2,90.

Observando detalhadamente o que chama a atenção é que até os copos de papel são importados dos EUA. Provavelmente está aí o segredo do preço salgadérrimo.

Por enquanto as lojas continuam cheias. Tenho observado pelo menos a que fica perto da minha casa constantemente ocupada de jovens. Mas e quando o modismo passar? Normalmente ele passa rápido.

Wi-fi pago - Tá aí outro ponto que me decepcionou profundamente no Starbucks brasileiro. A internet wireless dentro das lojas é um acordo com a rede VEX. Ao contrário do que já se tornou uma tradição e motivo de atração nas lojas dos EUA, no Brasil quem quiser levar seu notebook para acompanhar um café com tranquilidade na loja terá que assinar o serviço da VEX ou comprar um cartão de acesso pré-pago. Triste que a Starbucks no Brasil resolva quebrar a regra que fez das lojas nos EUA ponto de encontro para os viajantes conectados, blogueiros, gente que não vive mais desconectado.

6 de dezembro de 2008

Café na terra do café

Belo Horizonte (MG) - Desde que comecei a dar mais atenção ao café do dia a dia sempre que venho a Belo Horizonte fico procurando algum lugar para tomar um bom e diferente espresso mineiro. Normalmente não é fácil. Apesar do Estado ser o grande produtor de cafés especiais do país, parece que quase nada do que se produz fica aqui.

Fato é que em BH não é comum encontrar máquinas de espresso 
como se encontra em São Paulo. Aliás, encontrar uma é raro. Mineiro gosta de café de coador e parece que isso não vai mudar de uma hora para a outra. 

De qualquer forma, muito por procurar acabei encontrando alguns anos atrás uma cafeteria no bairro de Lourdes. Não lembro como cheguei até lá. Acredito que deva ter sido por indicação de algum dos meus primos daqui. O fato é que lembro do bom café e que cheguei até a levar alguns grãos de volta para São Paulo.


Infelizmente, por culpa do meu hábito de tentar guardar tudo de cabeça me esqueci completamente do nome do lugar e do endereço. Alguns meses depois quando voltei a cidade já não consegui achar a mesma cafeteria. E assim continuou sendo em diversas novas visitas a capital mineira. Não lembrava o nome, o bairro e mesmo perguntando para os parentes muitos que tenho aqui em Belo Horizonte ninguém conseguia entender de que lugar estava falando.

Hoje sai caminhando pelas ruas do bairro de Lourdes. Alguns quarteirões acima do Mercure  onde estou hospedado para mais um casamento na família. 
Sobe ladeira, desce ladeira, vira esquina, sobe ladeira de novo e começo a reconhecer um bar de esquina (e olha que aqui tem alguns milhares). Virando a esquina da R. Tomas Gonzaga com Bárbara Heliodora dei de cara com o Santa Sophia Café. Lógico que eu nunca ia encontrar, a rua é mesmo um pouco escondida na sequência de quadras todas meio iguais de BH.

O lugar não mudou muito. O clima aconchegante de mesinhas e um jardim no fundo que convida a voltar para experimentar o horário do almoço. O café tirado com precisão é uma raridade na cidade.


Os grãos vem de fazendo própria no cerrado mineiro, município de Carmo do Paranaíba, na região de Patrocínio. A torra é feita na própria cafeteria em uma torrefadora bonitona que fica bem na vitrine

Amanhã antes de voltar pra SP volto lá pra tomar um último cafezim e levar um estoque de grãos para experimentar em casa. E que este post me sirva de anotação permanente para não esquecer mais o endereço nas próximas passagens por BH.
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